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Gratitude

Diário por voz ou digitado: qual combina com você?

Pela equipe do Gratitude · Publicado · 5 min de leitura

A maioria dos diários é escrita, porque durante séculos escrever era o único jeito de guardar palavras. O celular mudou isso. Hoje você pode falar o registro do dia e vê-lo virar texto enquanto fala. Veja o que realmente muda quando você fala, onde a voz brilha e onde o teclado ainda é a ferramenta melhor.

Falar é muito mais rápido

Num estudo de 2018, Sherry Ruan, Jacob Wobbrock, James Landay e colegas compararam o reconhecimento de fala com o teclado do próprio celular para mensagens curtas. Em inglês, a fala foi 2,93 vezes mais rápida: cerca de 153 palavras por minuto contra 52. Em mandarim, foi 2,87 vezes mais rápida. A fala também gerou menos erros durante a entrada do texto, embora um pouco mais de erros tenha sobrado na mensagem final.

Eram condições de laboratório, com bons reconhecedores e salas silenciosas, e o reconhecimento de fala continuou melhorando desde então. A direção é clara: para registrar palavras depressa, a sua voz ganha dos seus polegares.

Para um hábito de gratidão, velocidade não é luxo. A maior ameaça a uma prática diária é o atrito no fim de um dia cansativo. Três frases faladas levam quinze segundos. Três frases digitadas levam um minuto ou mais, com as correções.

Falar costuma ser mais sincero

Quando você digita, vai editando pelo caminho. Procura uma palavra melhor, apaga um trecho, arruma a frase. Isso é ótimo para uma redação e nem tanto para um diário, em que a primeira versão, simples, costuma ser a mais verdadeira.

Falando, sobra menos espaço para isso. Você diz “a sopa estava boa e eu não precisei cozinhar” e fica guardado assim. Muita gente acha que os registros falados soam mais como ela mesma: mais calorosos, mais engraçados, menos encenados. Isso vem da nossa experiência e da de muita gente que faz diário por voz, não de um resultado medido, mas é o que as pessoas mais notam quando trocam.

Falar cabe onde escrever não cabe

Um caderno precisa de mesa, caneta e alguma luz. Um teclado precisa das duas mãos e dos seus olhos. A sua voz não precisa de nada disso, então um hábito falado cabe em momentos em que um hábito escrito nunca caberia: a volta para casa a pé, os minutos enquanto o jantar fica pronto, o quarto escuro antes de dormir. É justamente nesses intervalos que uma pequena prática diária sobrevive.

Também há algo em se ouvir dizendo. Dizer “fico feliz que ela ligou” em voz alta é um ato um pouco diferente de só pensar. Muita gente diz que isso torna a coisa boa mais real, do mesmo jeito que contar o seu dia para alguém de confiança.

Coisas boas pedem registros curtos

Existe um estudo que deveria orientar qualquer pessoa que registra coisas boas, falando ou escrevendo. Sonja Lyubomirsky, Lorie Sousa e Rene Dickerhoof (2006) pediram a estudantes que processassem as suas piores ou as suas mais felizes experiências escrevendo, falando num gravador ou só pensando nelas.

Para as experiências ruins, escrever e falar ajudaram: colocar uma coisa difícil em palavras parece organizá-la. Para as experiências felizes, foi o contrário. Quem reviveu uma lembrança feliz só na cabeça se saiu melhor do que quem escreveu ou falou longamente sobre ela, principalmente quando a escrita a analisava. Destrinchar um bom momento pode tirar um pouco do brilho dele.

A lição para um diário da gratidão: diga a coisa boa, acrescente um motivo curto se ele vier, e pare. Não disseque. Uma frase falada já tem naturalmente esse tamanho, o que é mais um motivo para um diário por voz combinar com a gratidão.

Quando digitar vence

A voz nem sempre é a ferramenta certa. Digitar é melhor quando:

  • Tem gente por perto. Falar a sua gratidão num metrô lotado não é para todo mundo.
  • Você quer refletir com calma e por mais tempo. Para um registro longo sobre uma decisão difícil, o teclado deixa você ver e moldar os seus pensamentos.
  • As palavras são incomuns. Nomes, termos técnicos e mistura de idiomas podem confundir o reconhecimento.
  • Você pensa melhor escrevendo. Tem gente que pensa com os dedos, e isso é um bom motivo para continuar assim.
  • Já é tarde e tem alguém dormindo do seu lado.

O melhor arranjo é um que ofereça os dois, para você falar quando puder e digitar quando não puder, sem precisar de um segundo app.

Privacidade: o que acontece com a sua voz

Uma preocupação justa com diários por voz é o áudio. Uma gravação da sua voz é mais pessoal do que um texto, e é algo maior para armazenar, fazer backup ou perder. Vale conferir se um app guarda gravações, se as envia para algum lugar ou se guarda só as palavras.

O Gratitude guarda só as palavras. O reconhecimento de fala funciona enquanto você fala, transforma a sua voz em texto, e nenhum áudio é gravado ou armazenado. Você pode digitar em vez de falar a qualquer momento. O app grátis funciona sem conta, e tudo o que você guarda fica no seu celular.

Como começar um diário por voz

Escolha uma deixa, como a água do café no fogo, a caminhada desde o ponto de ônibus ou a hora de escovar os dentes. Diga três coisas boas de hoje, uma frase para cada. Se quiser, acrescente o porquê. Releia tudo no fim da semana. Para ter perguntas a responder, experimente nossas perguntas para o diário da gratidão; para construir o hábito, veja como começar uma prática de gratidão.

Perguntas

Um diário por voz é tão bom quanto escrever?
Para registros curtos sobre coisas boas, não há motivo para achar que seja pior, e é bem mais rápido. Para destrinchar longamente algo difícil, a escrita tem mais pesquisa a seu favor.
Quanto falar é mais rápido do que digitar?
Num estudo de laboratório de 2018 com celulares, a fala foi cerca de três vezes mais rápida que o teclado em inglês: perto de 153 palavras por minuto contra 52.
Um diário por voz grava a minha voz?
Alguns gravam. Confira antes de começar. O Gratitude transforma a fala em texto enquanto você fala e guarda só as palavras; nenhum áudio é gravado ou armazenado.

Referências

  1. Ruan, S., Wobbrock, J. O., Liou, K., Ng, A., and Landay, J. A. (2018). Comparing speech and keyboard text entry for short messages in two languages on touchscreen phones. Proceedings of the ACM on Interactive, Mobile, Wearable and Ubiquitous Technologies, 1(4), 159. doi.org/10.1145/3161187
  2. Lyubomirsky, S., Sousa, L., and Dickerhoof, R. (2006). The costs and benefits of writing, talking, and thinking about life's triumphs and defeats. Journal of Personality and Social Psychology, 90(4), 692-708. doi.org/10.1037/0022-3514.90.4.692

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